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Sem muito alarde o futebol brasileiro terá hoje um dia histórico. Pela primeira vez em um clássico o conjunto de torcedores que entrarem no estádio serão identificados pela biometria, terão de deixar as impressões digitais gravadas nos torniquetes de acesso. A novidade vai acontecer na Arena da Baixada, no Atle-Tiba do returno do Brasileirão.
Trata-se de um avanço importante. Nos últimos anos, desde que se registrou um agravamento nos conflitos entre as facções organizadas, com o crescimento do número de mortos, inclusive, muito se tem falado e pouco se tem feito para resolver a situação. A CBF se omite – como sempre -; o governo federal formou comissões, chegou a anunciar um certo cadastro nacional de torcedores que nunca saiu do papel; o Ministério Público e a Justiça optam por medidas que punem o coletivo, exigem torcida única, suspendem organizadas, mas deixam, como regra, livres, leves e soltos os marginais que se escondem por trás delas.
São medidas inócuas.
Só a individualização dos vândalos e dos criminosos poderá, um dia, devolver os estádios aos verdadeiros torcedores. Não há outra saída como demonstraram no passado experiências como a da Inglaterra no combate aos holligans. Na semana passada, a Alemanha – antes mesmo que a Fifa se manifestasse ameaçando o país de punições – deu outro exemplo de como se pode e deve enfrentar o problema. A federação abriu uma sindicância para identificar e punir torcedores que, no jogo contra a República Tcheca, no dia 1º, pelas Eliminatórias da Copa, vaiaram o minuto de silêncio e entoaram cânticos nazistas durante a execução do hino tcheco. Sistemas de câmeras do estádio, de bares nas redondezas e até registros dos transportes entre os dois países estão sendo usados na investigação. Tudo para personalizar o delito.
A Arena da Baixada já usa a biometria há algum tempo. A novidade deste domingo será a identificação não apenas dos filiados às organizadas do Atlético-PR mas de todos os torcedores. A medida foi testada no dia 30, na vitória por 1×0 do Furacão sobre o Coxa, pelo Brasileiro sub-20. Apesar do público pequeno, de menos de 2 mil pessoas, houve reclamações. Por isso, a estreia oficial do sistema exatamente num jogo contra o maior rival, gerou discussão em Curitiba. Mas o presidente do clube, Luiz Salim Emed, garante que não foi algo planejado “casar” com esse jogo. “Foi uma coincidência. Mas, sendo o primeiro, é um desafio maior. Se conseguirmos ir bem nesse, já nos credenciamos para os próximos”, afirma.
Certamente problemas irão surgir. Para comportar o aumento de demanda, o Atlético-PR aumentou os acessos e o número de catracas, além de manter um sistema alternativo de smart cards. Mas os riscos valem à pena. Tem tudo a ver com o pioneirismo do clube.
Coritiba x Atlético, além de Atle-Tiba, bem poderia receber um novo apelido: o Clássico das Novidades. E boas novidades, diga-se de passagem. No Paranaense desse ano, pela primeira vez no Brasil, os clubes, rompidos com a TV Globo, transmitiram eles mesmo, pelos seus canais de internet, o confronto no Couto Pereira. Enfrentaram o conservadorismo e o jogo de interesses da cartolagem da federação estaual e se recusaram a entrar em campo se não pudessem fazê-lo.
A iniciativa do Furacão, ao adotar a biometria em seu estádio, não é única. Em Porto Alegre, tanto o Grêmio como o Internacional já cadastram dessa forma seus torcedores. O Tricolor gaúcho prepara-se para estender o sistema a todos os espaços de sua arena. Se as chamadas autoridade competentes – mas que não se mostram assim nem um pouco – não conseguem resolver o problema, é alvissareiro que os clubes e os gestores de arenas estejam agindo por conta própria. A biometria, entre outras medidas, pode e deve espalhar-se pelo Brasil. Custa pouco, muito pouco, em relação aos benefícios que pode trazer para o futebol tupiniquim.
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